Depois de passar pelo Amazonas e pelo Pará, encerramos a nossa viagem pela Amazônia no Estado do Amapá. Mais especificamente em Macapá, única capital brasileira banhada pelo rio Amazonas.

O Rio Amazonas visto da Fortaleza de São José de Macapá

Você pode estar se perguntando “poxa, mas o que tem pra conhecer no Amapá?”. Não é exagero afirmar que é o estado mais isolado do país, tendo em vista que não há nenhuma ligação rodoviária com o restante do país. As únicas saídas são pela água ou pelo ar. Talvez isso explique porque o turismo não é o forte de lá.

Tenho uma meta de conhecer todos os estados do país (ainda faltam 16) e quando me dei conta da proximidade entre Belém e Macapá, “aviãomente” falando, pensei: por que não? Acabei esticando a viagem em mais dois dias incluindo um destino que não estava inicialmente previsto no meu roteiro. Também é possível chegar de barco, mas o trajeto dura cinco dias.

A preparação para a viagem foi um pouco complicada, já que há pouquíssimas informações na internet sobre atrativos turísticos no Amapá. Também não há muitas opções de hospedagem: hostel? Esquece. Se existe algum em Macapá, é tão escondido que não consegui achar em nenhum lugar. Como o preço dos hotéis estava um pouco fora do meu orçamento, acabei optando por uma hospedagem Airbnb um pouco mais em conta.

As opções de voo também são escassas. Tive que comprar o voo de volta para 5h35 de sexta-feira, ou seja, na prática só ficaria um dia e meio por lá.

Embarquei em Belém numa quarta-feira à tarde e cerca de uma hora depois já desembarcava no pequeno aeroporto de Macapá com a (nada) agradável temperatura de 37 graus. Peguei um táxi até a casa da minha hóspede, no bairro do Trem, e saí para dar uma volta depois de deixar as malas.

Finalmente o encontro com o rio Amazonas

O interior da Fortaleza de São José de Macapá

Fui à pé até a orla do rio Amazonas – depois de 15 dias de viagem, foi a primeira vez que o vi de perto. Ali fica um dos principais pontos turísticos da cidade, a Fortaleza de São José de Macapá. Construída no século XVIII durante a colonização portuguesa, tinha a função de proteger a cidade de eventuais invasões. Hoje, abriga um pequeno museu e é possível visitar praticamente todas as edificações internas, como a capela, dormitórios, armazéns e as casamatas – um tanto quanto sinistras para visitar sozinho.

O Parque do Forte

A fortaleza é cercada por um belo parque, onde os macapaenses praticam atividades físicas e passeiam. Seguindo um pouco mais em direção ao norte, ficam a Casa do Artesão (que estava fechada para reforma quando estive lá, em agosto de 2017) e o Trapiche Eliezer Levy (este estava interditado). Também nas redondezas há uma loja que vende produtos importados e que pelo que eu havia pesquisado, teria bons preços. Mas aí é questão de parâmetro: pra mim estava tudo bem caro. (Mas pelo menos aproveitei o ar condicionado.)

O Trapiche Eliezer Levy estava interditado; ali foi feita uma reforma para a passagem da Tocha Olímpica, em 2016

A partir daí comecei a voltar pela rua Cândido Mendes, que tem um comércio bem ativo e onde fica o Teatro das Bacabeiras. Fiz uma parada estratégica na Sorveteria Marvin pra dar mais uma refrescada (que saudades eu sinto das sorveterias que visitei na Amazônia…). À noite, apenas saí para comprar um lanche na praça ao lado da casa na qual me hospedei.

No meio do mundo

No dia seguinte, fui ao Supermercado Santa Lúcia para tomar café da manhã e de lá segui a pé até o Museu Sacaca (que sol durante a caminhada!). Localizado num quarteirão com vegetação preservada, abriga diversas exposições a céu aberto, retratando a vida e o cotidiano da população ribeirinha do interior do Amapá e também dos indígenas.

Uma das partes mais legais da visita é a réplica do Regatão, uma embarcação que funciona como um mercado flutuante e leva mercadorias às cidades e comunidades mais afastadas. O Sacaca é um dos lugares mais legais de Macapá e é imprescindível visitá-lo.

As réplicas do Regatão e de uma habitação ribeirinha no Museu Sacaca

Mais uma caminhada até a rua Leopoldo Machado, onde parei para tomar um sorvete na Sorveteria Santa Clara. Na sequência peguei um ônibus até o Monumento do Marco Zero, que marca o local por onde passa a Linha do Equador, que divide os hemisférios Norte e Sul. O lugar estava bem mal cuidado pra importância que tem, uma pena… Mas mesmo assim vale a visita. Sob a estrutura há um espaço para eventos que estava abrigando provisoriamente os comerciantes da Casa do Artesão.

O Monumento Marco Zero com alguns sinais de degradação

Peguei outro ônibus e fui almoçar no Macapá Shopping antes de voltar pra casa pra tomar um banho e recuperar as energias depois das exaustivas e quentes caminhadas.

À noite fui novamente ao shopping para jantar e peguei um ônibus até o Estádio Zerão, que fica ao lado do Marco Zero e tem a Linha do Equador passando exatamente no meio do campo. Naquela noite acontecia o primeiro jogo da final do Campeonato Amapaense, entre Santos e Macapá. A equipe homônima do tradicional time paulista acabou vencendo e no jogo seguinte conquistou o título.

Cerca de 700 pessoas estiveram no primeiro jogo da final do Amapazão 2017

Na volta, mais um ônibus pra casa (não sem antes passar pelo receio de não ter mais nenhum passando no horário). Outro banho, hora de arrumar as malas e depois um cochilo antes de madrugar para ir ao aeroporto.  Mais ou menos duas horas e meia de voo até Brasília, uma hora de conexão e mais uma hora e pouco de voo até Congonhas.

O Amapá me pareceu muito mal preparado para receber turistas… Poderia explorar melhor seu potencial para atrair visitantes e estimular o desenvolvimento em regiões como Oiapoque, no extremo norte do Brasil. Mesmo assim, foi uma experiência muito bacana.

Fechamos assim nossa série de textos sobre a Amazônia, espero que tenham gostado! Até a próxima!

Texto e fotos by Rodrigo Masaia.

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