Belém vista do Forte do Presépio. À direita, a região do Ver-o-peso; à esquerda, a Baía do Guajará (Foto acima)

Depois de passar pelo Amazonas e pela vila de Alter do Chão, em Santarém, nossa viagem segue no Pará: agora é a vez da calorosa capital Belém. Calorosa e “calorenta” também, assim como em toda a região da Floresta Amazônica.

Cheguei numa sexta à tarde e depois de resolver alguns problemas burocráticos durante a tarde (o chip do meu celular parou de funcionar do nada e tive que comprar outro), fui à Estação das Docas à noite, um dos pontos mais visitados da cidade – e um dos mais bonitos também.

Localizado às margens da Baía do Guajará, é uma parte restaurada e muito bem conservada do Porto de Belém e se transformou num dos principais locais de lazer da cidade, com várias opções de bares e restaurantes. Minha opção por lá foi o Amazon Beer, onde provei a Stout, cerveja de açaí bem forte e muito boa também. O acompanhamento foi o ótimo bolinho recheado de pato no tucupi.  

O interior da Estação das Docas. Ao fundo, na parte superior, a plataforma suspensa e móvel com música ao vivo

O charme das Docas é a plataforma suspensa e móvel onde ficam os artistas responsáveis pela música ao vivo – na noite da minha visita tinha MPB. Indispensável também é passar por alguma das sorveterias e provar os sabores locais (quem leu os textos anteriores já deve saber que os meus favoritos são os de cupuaçu e castanha-do-Pará). Uma voltinha na área externa sentindo a agradável e refrescante brisa da baía completa a experiência.

O calor e a agitação

Tirei o sábado para bater perna. Como estava hospedado em um hostel no bairro Campina, na região central, onde está a maior parte dos pontos turísticos, inventei de fazer tudo a pé. A primeira parada foi no Mercado Ver-o-peso, que era completamente diferente do que eu pensava.

Fui com a ideia de encontrar algo como o Mercadão de São Paulo, mas na verdade o Veropa não tem uma estrutura física (exceto pelo Mercado de Ferro, onde são vendidos os peixes), são várias barracas umas ao lado das outras. Há muita sujeira na rua, cheiro forte de urina e também sensação de insegurança. Confesso que não me senti muito à vontade por lá.

A Praça do Relógio

Ali perto também passei pelas praças do Relógio, D. Pedro II e Frei Brandão. Há vários lugares legais para conhecer, como o Museu do Círio de Nazaré, o Museu de Arte Sacra, a Casa das Onze Janelas, a Catedral da Sé e o Forte do Presépio, que gostei bastante de conhecer e que tem uma visão muito legal dessa parte de Belém e da Baía do Guajará.

Segui à pé pelas ruas da Cidade Velha até o Mangal das Garças, um belo parque com borboletário, estufa, lago, vários animais vivendo soltos ao ar livre e uma espécie de trapiche que avança por cima do mangal e dá uma visão panorâmica da baía e das ilhas no entorno.

O Mangal das Garças

Mas o ponto alto foi o almoço no Manjar das Graças, restaurante que também completa o espaço. Não é exatamente o lugar mais recomendado pra quem pretende viajar gastando pouco, mas a experiência vale muito a pena. Minha conta deu uns 100 reais, incluindo um buffet livre bem diversificado e com várias opções de comidas locais, como o pato no tucupi e a maniçoba. Vale cada centavo. Ah! Também são várias opções de sobremesas. O ambiente é bem sofisticado e o atendimento, ótimo.

Andando mais um pouco (muito, pra quem já tinha torrado desde cedo debaixo do sol), cheguei ao Portal da Amazônia, uma espécie de orla belenense. Lugar muito bonito também, mas sem muita coisa pra ver além do Rio Guamá. Peguei um Uber de volta pro hostel e fiquei por ali mesmo o resto do sábado. O clima é cruel pra quem não está acostumado a caminhar por lá.

O Rio Guamá visto do Portal da Amazônia

Há males que vêm para o bem

O domingo foi um dia de mudanças.

Primeiro, porque a experiência no hostel onde eu estava, que já não vinha sendo das melhores, foi completada por um problema no ar condicionado (que ficava literalmente em cima da minha cama) que ficou pingando na minha cama a noite toda. Essa foi a deixa para eu cancelar a reserva e pedir o dinheiro de volta.

Segundo, porque eu estava planejando ir para a Ilha de Marajó, que fica a umas três horas de barco de Belém. A ideia era fazer isso na segunda de manhã e voltar na quarta, mas os horários de partida jogavam contra e cheguei à conclusão de que menos de 48 horas seria pouquíssimo tempo para curtir o lugar. Além do mais, o barco da volta chegaria ao porto de Belém no fim da manhã na quarta-feira e meu voo seria logo no início da tarde. Achei muito arriscado e acabei abortando a ideia.

Antes de ir para o hostel novo, aproveitei para passar pela feira da Praça da República, onde você encontra de tudo: comida, roupas, ervas medicinais, bijuterias, instrumentos musicais e, claro, as lembrancinhas para os turistas. Passeio que vale muito a pena.

A feirinha da Praça da República

O Manga Hostel, onde eu passei a me hospedar, foi uma grata surpresa. Boa infraestrutura, funcionários gente boa, bem localizado e com uma piscina que veio bem a calhar para refrescar o calor. Aproveitei a proximidade ao estádio do Remo, o Baenão, para comprar um ingresso para o jogo da Série C contra o Botafogo da Paraíba, que aconteceria à noite em outro estádio, o Mangueirão, principal da cidade.

E ir ao Mangueirão foi uma das experiências mais legais que eu tive no Pará. O clima na chegada, o aquecimento da torcida no estacionamento, a festa da torcida… tudo muito marcante. Como ponto negativo, só mais um exemplo da falta de educação que a gente vê por aí… as rampas de acesso às arquibancadas viram verdadeiros banheiros ao ar livre… Uma “corredeira” de urina chega a se formar e os porcalhões não se preocupam nem com as crianças passando ao redor.

Torcida chegando ao Mangueirão antes do jogo

Em tempo: dei sorte ao Leão, que venceu o Botafogo por 2 a 1.

A fé por Nossa Senhora de Nazaré

No dia seguinte peguei um ônibus e fui bater perna pelo bonito bairro de Nazaré, uma das áreas mais arborizadas de Belém, com as tradicionais mangueiras espalhadas por todo canto. É lá que fica a Basílica Santuário Nossa Senhora de Nazaré, onde o povo paraense expressa sua fé à padroeira do estado.

Basílica de Nossa Senhora de Nazaré

Ali termina a procissão do Círio de Nazaré, que acontece todo mês de outubro e atrai milhões de pessoas às ruas de Belém. Mas quem visita a basílica e a praça em frente num dia comum, mal consegue imaginar como tantas pessoas cabem ali. O lugar é lindo, muito bem preservado e mesmo num dia útil estava repleto de fiéis, o que também é mais uma demonstração do amor do povo do Pará pela Nazinha, como a santa é carinhosamente chamada por lá.

Depois da visita, dei mais uma volta pelo bairro, almocei, comprei meu carregamento de Stout pra levar pra casa e tomei mais um sorvete de castanha na Cairu, que tem uma loja ali perto. Aí peguei outro ônibus até o Ver-o-peso pra fazer meu estoque de castanhas.

Qualquer paulistano que já tenha tentado comprar castanhas no Mercadão ou na Zona Cerealista de São Paulo vai com certeza tomar um susto ao ver os preços no Veropa. A diferença chega a ser de metade do preço.

Na volta pro hostel, mais um ônibus. E o transporte público também é algo que me chamou muito a atenção por lá. Primeiro, pela quantidade de informações que ficam no para-brisa – praticamente o itinerário inteiro das linhas. Segundo, pela trilha sonora. Se aqui em São Paulo quem ouve música alta é olhado com cara feia, em Belém até os próprios motoristas dos coletivos têm seus aparelhos de som tocando tecnomelody ou coisa parecida (não tive tempo suficiente para conseguir diferenciar os ritmos musicais) durante as viagens.

Também achei relativamente fácil andar de ônibus por lá, até porque as linhas seguem trajetos parecidos e em geral circulam somente pelas principais vias dos bairros.

Um pouco da história de Belém

No dia seguinte também usei o ônibus para ir ao Espaço São José Liberto, no bairro Jurunas. O prédio histórico já abrigou de tudo: foi convento no início e funcionou como presídio até a reforma que deu origem à sua utilização atual. Ao lado da Estação das Docas, é mais um bom exemplo belenense de recuperação e reintegração de locais degradados ao cenário urbano.

O Espaço São José Liberto visto por fora e por dentro

Atualmente em São José Liberto há uma capela, o Museu de Gemas do Pará, o Polo Joalheiro e um espaço bem bacana para o visitante relaxar e comprar peças de artesanato local e pedras paraenses. Uma das antigas celas foi preservada e abriga um pequeno memorial que lembra, de maneira bem realista, as condições dos presos que ficaram no local.

O museu também é bem interessante e mostra todos os tipos de pedras encontradas no Pará, com direito a peças bem antigas feitas por povos indígenas, como os tapajós. Já os exemplos da produção atual podem ser vistos e comprados nas lojinhas que ficam no prédio do fundo.

Antes de deixar Belém, fui conhecer o Theatro da Paz, que fica na Praça da República. Além de poder ser conhecido em um dos vários espetáculos que sedia, o teatro também realiza visitas monitoradas que mostram os detalhes e curiosidades de sua construção e história.

O Theatro da Paz, no centro de Belém

Uma das mais interessantes é a construção de um camarote construído especialmente para receber o imperador Dom Pedro II, caso um dia ele quisesse visitar Belém. Isso nunca aconteceu, mas hoje o camarote é dedicado ao governador do Estado do Pará.

Gostaria de ter ido a mais lugares em Belém, mas não contava com o cansaço causado pelo clima local. Em alguns dias que pretendia visitar quatro ou cinco lugares, acabei indo a somente um ou dois. Ficaram de fora lugares como o Museu Emílio Goeldi, o Parque Utinga e as visitas às ilhas próximas à cidade.

Ah! Também tentei ir ao Bosque Rodrigues Alves, mas fui traído pelo BRT que, apesar de já ter as estações aparentemente prontas em agosto de 2017, só parava em algumas delas. Fui direto do Terminal São Brás ao Terminal Mangueirão e na volta não dava mais tempo de entrar no bosque…

O jeito então é voltar pra Belém e aproveitar para conhecer também a Ilha de Marajó!

No próximo post eu volto contando como foi a última parada dessa viagem: Macapá. Até lá!

Texto e fotos by Rodrigo Masaia.

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